Metodologia

Os critérios metodológicos adotados para o desenvolvimento dos verbetes e demais informações que compõem a Plataforma Ancestralidades são pautados pelo rigor teórico e factual.

Os verbetes são divididos em três eixos temáticos, idealizados para otimizar a organização desses mesmos conteúdos. São eles:

  • Biografias e trajetórias
    Esse eixo apresenta verbetes sobre trajetórias individuais, coletivas e de instituições que influenciaram – e influenciam – a atuação do movimento antirracista no Brasil;
  • Termos e conceitos
    Nesse eixo, verbetes retratam pontos relevantes sobre a temática étnico-racial no Brasil ao levar em consideração as múltiplas dimensões da experiência das populações negras para aproximar e dar visibilidade ao conhecimento científico acumulado sobre a condição desses mesmos grupos no país;
  • Marcos históricos
    Como a nomenclatura sugere, esse eixo é composto por marcos que retratam a história das populações negras no Brasil. A linha comporta diferentes dimensões e traz tanto esforços de emancipação como episódios de conflitos ou manifestações políticas, descobertas científicas e criação artístico-cultural, que são refletidos no contexto sociopolítico e racial vigente no Brasil.

Ao mesmo tempo que a Plataforma Ancestralidades retrata trajetórias, termos, conceitos e episódios marcantes para a construção do saber e da resistência das populações negras no Brasil, o espaço conta também com sinais e tendências no campo das questões raciais. Trata-se do campo de Narrativas Emergentes.

A seção é reflexo de trabalho contínuo de pesquisa para identificar os sinais de desenvolvimento de tendências e questões com origem nos debates na mídia. Esse processo é baseado em pesquisas que envolvem uma ampla variedade de fontes, como portais de notícia, blogs de opinião, perfis em redes sociais, bancos de dados e periódicos acadêmicos.

Política editorial

A Plataforma Ancestralidades busca possibilitar o acesso aos seus conteúdos por meio da organização de dados, verbetes e navegação, o que privilegia a integração entre os materiais. Desse modo, ela rompe com a lógica segundo a qual informações são vistas de modo isolado, sem conexão cronológica ou temática.

A conexão entre áreas diversas do conhecimento é estruturada por meio dos seguintes eixos temáticos:

  • Arte e Cultura
    o objetivo do eixo é identificar e destacar a produção de artistas negras/os, com foco na pluralidade cultural e estética, com inspiração em experiências africanas, afrodiaspóricas. Esse segmento visa também contextualizar a importância dessas obras para as culturas desses mesmos grupos, tanto como mecanismos de resistência quanto sobre a valorização da experiência e identidade negra no Brasil;
  • Democracia e Direitos Humanos
    o foco desse eixo é mostrar a luta de populações subjugadas, com destaque para os grupos de etnias negras, desde quando foram trazidos à força ao território que hoje forma o Brasil até os dias atuais, valorizando a articulação e criatividade dos movimentos desenvolvidos por esses grupos em prol de direitos. Além disso, as experiências de governança e os vínculos com movimentos negros emancipa-tórios em diáspora servem como fonte de inspiração para pensar em novos caminhos e experiências em âmbito democrático e à defesa dos direitos estabelecidos na Declaração Universal de Direitos Humanos e na Constituição Federal de 1988;
  • Ciência e Tecnologia
    eixo cujo objetivo é mostrar a contribuição negra para a produção científica e tecnológica. A perspectiva adotada, cujo viés rompe com o eurocentrismo, é voltada à valorização dos saberes e do protagonismo de pessoas negras na ciência e na cultura brasileira, e essa mesma lógica é aplicada no desenvolvimento tecnológico no Brasil;
  • Religiosidade e espiritualidade
    o objetivo deste eixo consiste em valorizar os saberes e os ritos relativos às religiões de matriz africana. Os conteúdos que compõem esse tema abordam aspectos relacionados a fundamentos, conceitos e terminologias relativos aos cultos afro-brasileiros, com destaque para as três nações de candomblé (Jeje, Ketu e Angola) e as umbandas, assim como descrições das divindades relativas a ambas matrizes religiosas.

Apesar de esses eixos permitirem a indexação de dados e verbetes sobre as ancestralidades negras, eles estão longe de determinar ou de definir a grandiosidade dos saberes das populações negras, por ela ser vasta e extremamente plural.

Desse modo, para evitar a perspectiva reducionista sobre a produção de conhecimento das populações negras, os verbetes e demais conteúdos poderão ser vistos de modo correlacionado tanto em caráter cronológico como em caráter temático. Essa lógica é explicada pelo cuidado em mostrar que eventos, fatos e dados não são aspectos isolados e fazem parte de um grande contexto sociocultural, político, econômico e humanitário.

Além disso, a Plataforma Ancestralidades tem também caráter colaborativo e contínuo. Ou seja: a história é compreendida como algo que não é estático ou encerrado, e, por esse motivo, precisa ser constantemente atualizada. Logo, os verbetes e os tópicos de Narrativas Emergentes incluídos na plataforma estão sujeitos a atualizações para acompanhar as mudanças cronológicas, além de que novos verbetes poderão ser incluídos dentro dessa mesma perspectiva.

Todavia, isso não compreende a adoção de práticas revisionistas, pois os conteúdos incluídos respeitam rigorosos parâmetros de exatidão histórica e factual.

Parceiros técnicos

Conselho Orientador

A linha narrativa dos verbetes sobre aspectos amefricanos disponíveis na Plataforma Ancestralidades foi desenvolvida por pesquisadores do Afro (Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial), do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do campo das relações raciais. Os verbetes com enfoque nas áreas de arte e cultura foram desenvolvidos pela Enciclopédia Itaú Cultural.

O Afro é um núcleo de pesquisa, formação e difusão sobre a temática racial que busca contribuir para o fortalecimento das pesquisas acadêmicas sobre desigualdades, relações raciais e interseccionalidade. Atua com vistas a qualificar o debate público sobre questões raciais e fortalecer a agenda de Direitos Humanos e da democracia, em especial no tocante à justiça e à igualdade racial e de gênero.

A Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira é uma obra de referência virtual que reúne informações sobre artes visuais, literatura, teatro, cinema, dança e música produzidos no Brasil.

Religiosidade e espiritualidade

Os verbetes do eixo Religiosidade e Espiritualidade foram produzidos pelo cantor, poeta, ensaísta, filósofo, dicionarista, enciclopedista e advogado Nei Lopes; pelo escritor, professor e historiador Luiz Antônio Simas; por Cecília Conceição Moreira Soares, doutora em Antropologia e yalorixá; pelo pesquisador Ricardo Aragão; por Luis Nicolau Parés, professor-doutor em Antropologia da Religião; e pelo Grupo Editorial Summus.

Narrativas emergentes

A seção de Narrativas Emergentes foi desenvolvida com consultoria da White Rabbit, uma agência dedicada à pesquisa contínua de sinais de futuro, realizando varreduras de horizonte em áreas como política, meio ambiente, economia, tecnologia e sociedade. O tema da Ancestralidades é transversal e composto por múltiplas camadas que não se esgotam, mas que, a partir deste mapeamento de sinais, apontam para um futuro emergente da chamada força negra, por meio de novas vozes, fazeres, saberes e da democratização cultural, científica e social no país.

Arte da página inicial

A arte da página inicial é de autoria da artista visual e empreendedora Íldima Lima (@illiarteafetiva). A artista dedica-se à pintura, cerâmica, design de superfície e arte digital como formas de expressão do seu propósito de escrever novas narrativas de protagonismo negro, com ênfase no deslocamento e na ressignificação de corpos negros nas artes. Criadora da marca illi arte afetiva e pesquisadora no campo da representação e representatividade da mulher negra em espaços expositivos e nas transmídias aplicadas às artes plásticas, seus trabalhos evocam as sutilezas das múltiplas camadas da essência feminina, adornadas pelo universo botânico, em diálogo entre ancestralidade e afrofuturismo.

A ilustração foi criada a partir dos conceitos de circularidade, atemporalidade, conexão e presença. A proposta visual busca transmitir a coexistência de passado, presente e futuro sob a forma do agora — um manto único que sela a existência e permite a consciência de derivados presentes. As referências às Yabás Nanã, Iemanjá e Oxum surgem como metáfora da circularidade em suas faces de anciã, mãe e jovem — morte, vida e nascimento — centradas no elemento água, símbolo de fecundidade, movimento e transformação, em suas múltiplas formas: lamaçal, chuva, rios e marés. Assim, retornar ao passado, ressignificar o presente e construir o futuro deixam de ser etapas lineares e passam a existir como ações naturais e simultâneas no ciclo infinito do eterno agora.