
Ana Maria Gonçalves
Escritora
Ibiá, Minas Gerais, 1970
Sua produção literária se caracteriza pelo caráter intimista, quase autobiográfico, das narrativas e resulta de densas pesquisas sobre as heranças africanas deixadas no Brasil.

Ativar epistemologias, ações políticas, estéticas e construções negro-africanas e afrodiaspóricas precedentes ao nosso tempo é o motivo de estarmos aqui, pensando desde a clave de experiência reconhecida como ancestralidade. Simultaneamente e a cada dia re-inaugurado pelo Sol, são as instâncias espaçotemporais abertas pelas ancestralidades – a partir da performatividade presente – que nos introduzem ao que veio antes e às ressonâncias do que vem chegando.
Sua transversalidade só encontra morada na mobilização realizadora, em atitude aldeã que olha o que ainda não chegou diante de tudo o que se tem feito. Esse elo entranha nos corpos o caráter inadiável da ocupação, com centralidade, dos saberes negros para onde quer que se vá daqui por diante, deixando marcas inegociáveis em conceitos e práticas de democracia, direitos humanos, arte, cultura, ciência, tecnologia. Uma plataforma sob o nome “Ancestralidades”, para ter coerência, há de ter também constância e pluralidade realizadora e relacional.
Na língua de tronco africano bantu kimbundu – de presença estrutural no português brasileiro –, a palavra-movimento bongola designa “reunir”. Somos e fazemos; porque estamos reunidos com o que já foi e o que virá, apontando para uma convocação de quilombagens que dialoguem com as mais variadas presenças realmente interessadas em viver a dignidade das existências para além da discursividade que não praticam.
Esperamos que tais encontros se desdobrem noutras engrenagens. Aqui se lança uma pedra de raio para se repensar e viver o que seja justiça. Estamos atent_s, em guerra, em diálogo e entregues ao que ensinam os encantamentos.

Escritora
Ibiá, Minas Gerais, 1970
Sua produção literária se caracteriza pelo caráter intimista, quase autobiográfico, das narrativas e resulta de densas pesquisas sobre as heranças africanas deixadas no Brasil.

Filósofa, escritora e ativista feminista antirracista
São Paulo, São Paulo, 1950
Uma das principais intelectuais do país e referência do feminismo negro nacional, tem uma trajetória de décadas dedicada ao enfrentamento do racismo e do sexismo na sociedade brasileira.

Músico, compositor, poeta e pesquisador
Salvador, Bahia, 1982
Sua obra convida ao movimento, ao transe e à delicadeza. O seu fazer musical, artístico e político, impele ao reconhecimento e à vivência de uma sonoridade afro-brasileira, endereçada à diáspora negra. Ao mesmo tempo, revela a experiência do que é ser negro na periferia do capitalismo.
A Plataforma Ancestralidades objetiva reunir e difundir conteúdos derivados de processos investigativos para evidenciar as criações dos diversos Brasis baseados em saberes, histórias e culturas da população negra. Esse espaço plural, desenvolvido em parceria entre a Fundação Tide Setubal e o Itaú Cultural, é também um local de formação e fomento para iniciativas transversais dispostas em quatro eixos estratégicos: Democracia e Direitos Humanos, Arte e Cultura, Ciência e Tecnologia e Religiosidade e Espiritualidade.
A plataforma pretende ser um espaço destinado ao debate e à reflexão acerca desses temas, em diálogo com pesquisadores, mestres populares, centros de estudos e outras instituições, gerando pesquisas, publicações, cursos de formação e conteúdos didáticos com abordagens que referenciem e ressignifiquem as efemérides históricas.
Dentro dessa lógica, a plataforma tem também como um de seus objetivos mostrar aos visitantes um Brasil que, mais do que invisibilizado, foi silenciado por séculos e que ainda sofre com situação de violência decorrente das relações raciais no país. Apesar disso, esse mesmo Brasil mostrado em Ancestralidades é marcado pela pluralidade e pela riqueza ímpar no que diz respeito à produção artística, intelectual, científica e na criação de mecanismos de resistência e de defesa dos direitos humanos.
O foco dos materiais disponibilizados é colocar o leitor em contato com a riqueza intelectual das populações negras, que pode ser observada em diversas áreas do conhecimento. Em termos cronológicos, os conteúdos abordam eventos, fatos e personalidades contemporâneos. A linha do tempo chega até os primeiros anos do século XVI, com destaque para a produção intelectual negra.
A plataforma Ancestralidades é um projeto que estará em constante atualização, pois visa também acompanhar as transformações e necessidades da sociedade brasileira. O espaço retrata as experiências, os saberes e as vivências da população negra.
Essa lógica está alinhada a um dos principais objetivos da plataforma, que é enfatizar a urgência na construção de uma sociedade pautada pela diversidade, justiça e equidade.
A Plataforma Ancestralidades foi idealizada e organizada por meio de parceria entre o Itaú Cultural e a Fundação Tide Setubal, e está diretamente conectada aos princípios e valores de ambas as instituições. Esse espaço plural e computacional é resultado dos trabalhos desenvolvidos por ambas as organizações nas suas respectivas áreas de atuação, com destaque para as áreas ligadas aos direitos humanos e cultural, que serviram como base para o desenvolvimento dos conteúdos na plataforma.
O Itaú Cultural tem atuação voltada à pesquisa, à produção de conteúdo e ao mapeamento, ao incentivo e à difusão de manifestações artístico-intelectuais. O objetivo do projeto está diretamente ligado aos princípios da instituição, como a democratização do acesso à arte e à cultura, o reconhecimento e o apoio à constituição da memória da arte e da cultura brasileiras e a articulação e a difusão de conhecimentos, experiências e saberes sobre a arte e a cultura.

A Fundação Tide Setubal, que em 2021 completou 15 anos de atuação no enfrentamento das desigualdades socioespaciais, compreende que um dos principais mecanismos para alcançar esse objetivo é o combate ao racismo em âmbitos estrutural e institucional e, como consequência, pela valorização da cultura e da intelectualidade afro-brasileira. Essa premissa, aliada aos valores da organização, democracia, diversidade, equidade e colaboração, visa romper com o histórico de apagamento da produção intelectual das populações negras durante a história brasileira.
Os conteúdos da nossa plataforma são desenvolvidos com rigor teórico e factual, organizados em eixos que estruturam e aprofundam o conhecimento.