“A literatura tem função importante também, mas as pessoas não se dão conta disso: é sobre recontar uma história que nos foi negada de inúmeras maneiras.” Um ponto central na obra de Itamar Vieira Junior, um dos expoentes do momento atual da literatura brasileira, é colocar em evidência perspectivas e histórias que foram eclipsadas por discursos e grupos hegemônicos - seja em âmbitos econômico, racial, de gênero ou territorial.
Geógrafo de formação e doutor em Estudos Étnicos e Africanos, Itamar é conhecido graças ao livro “Torto Arado”, sucesso literário pelo qual foi vencedor dos prêmios Leya, Oceanos, Jabuti e, recentemente, do francês Montluc Résistance et Liberté 2024, e é autor de “Salvar o Fogo”, lançado em 2023, e da coletânea de contos “Doramar Ou A Odisseia”. Além disso, o autor estreou na literatura infantil, por meio da obra “Chupim”, cujo lançamento está previsto para a primeira quinzena de agosto.
Um aspecto emblemático de sua prosa literária é a relação intrínseca entre território, resgate da ancestralidade, protagonistas com complexidade e profundidade em âmbito sociocomportamental e tensionamentos resultantes de desigualdades crônicas e históricas - “fizemos uma opção muito equivocada no passado e não soubemos corrigi-la ao longo do tempo”, comentou, durante entrevista à Plataforma Ancestralidades.
No diálogo, Itamar Vieira Junior falou sobre temas diversos, como a relação entre literatura e ciências humanas, resgate de histórias invisibilizadas para escrevermos, em âmbito social, um novo horizonte de futuro, e ancestralidade. “Agora, o mundo se abre para quem foi alijado desse processo e não era convocado para contar suas histórias encontrar, enfim, meios de contá-las”, destacou, durante a conversa.
Confira a entrevista a seguir.
Um ponto que logo vem à tona na sua obra, de modo geral, é a relação que os protagonistas têm com os respectivos territórios onde vivem. Como a sua formação em geografia e o doutorado em Estudos Étnicos e Africanos influenciam no processo de pesquisa, na construção dos personagens e na ambientação dos arcos dos livros?
Itamar Vieira Junior: Sempre me perguntam como concilio a minha formação em ciências humanas, em Geografia, Antropologia e Estudos Étnicos, com a literatura. Sempre lembro para quem me pergunta se não me divido: sou a mesma pessoa que estudou e escreve literatura. Ela surgiu para mim antes das ciências humanas - e depois, por circunstâncias da vida, fui estudar ciências humanas. Para mim, essa é uma questão construída ao longo do tempo e se tornou crucial.
A história dos romances que tenho publicado, em particular dessa trilogia, a qual tenho chamado de “trilogia da terra” e surge em “Torto Arado” e “Salvar o Fogo”, embora seja ambientado em contexto, ambiente e território rurais, no fundo fala de um direito elementar de toda e qualquer pessoa: o direito ao seu território. Muitos tiveram isso negado ao longo da vida, sejam os despossuídos de casa nas cidades ou apátridas que vivem desterritorializados, fugindo de um lugar ao outro. O que acontece em Gaza, por exemplo, com aquelas pessoas absolutamente oprimidas pelo poderio militar de um país que pode aniquilá-las sem grandes resistências, inclusive da comunidade internacional, que pouco tem feito para ajudá-las.
Essas histórias falam de um direito básico e elementar de todo e qualquer ser humano, e de como as pessoas se relacionam com isso. Acredito que a minha formação em ciências humanas e o meu interesse por Geografia, Sociologia, História, Filosofia e Antropologia influenciam profundamente o que escrevo na literatura. E não faço nenhuma questão de separar. Muitas pessoas acham e alguns críticos escrevem, inclusive, que a literatura não tem função e não deve se debruçar sobre o escopo teórico das ciências humanas. Mas acho isso uma grande bobagem. Eu me deixo atravessar por todas essas questões e tento repensá-las e reescrevê-las de forma literária, ainda assim pensando na arte como um instrumento de reflexão: a arte nos ajuda a refletir sobre a nossa história. No caso destes romances, o direito ao território está na centralidade - é um direito tão elementar quanto o direito à alimentação. Sem território não há vida. No fundo, é sobre isso que estou refletindo também.
A retroalimentação da questão fundiária na construção do poder e no aprofundamento das desigualdades está muito evidente, pensando em “Torto Arado” e “Salvar o Fogo”. Trata-se de um chamado para a opinião pública sobre ser impossível falar em promoção da equidade e valorização da identidade nacional sem passar pela questão fundiária?
Itamar Vieira Junior: Com certeza. No caso do Brasil, este é um problema antigo e conta muito sobre a nossa formação e a história de violência que fundou este país. Se pensarmos nos povos indígenas que aqui estavam, em todo o genocídio promovido pelo empreendimento colonial, e depois na diáspora e como a terra sucessivamente foi negada a quem veio e migrou por meio desse evento tão violento e traumático que impacta nossas vidas ainda hoje, essa é uma questão sobre a qual precisamos nos debruçar e refletir. Trata-se de um primeiro passo para podermos mitigar as nossas desigualdades. O problema fundiário fala muito sobre a estrutura tão desigual do Brasil, se formos pensar. O Brasil é um dos países com maior concentração fundiária existente no mundo, pois fizemos uma opção questionável, que privilegiava um grupo em detrimento da maioria da população de ter acesso à terra e aos meios de produção. Isso criou uma desigualdade difícil de mitigar enquanto essa estrutura não for modificada.
Ao falarmos sobre terra, não falamos apenas sobre propriedade. Para alguns, é uma propriedade, enquanto para outros, trata-se de uma extensão do seu corpo - é sua própria vida. Falamos também de algo importante para a soberania de qualquer país: a segurança alimentar de uma população não passa pelo campo e pelo que se produz lá. As grandes propriedades, o latifúndio no Brasil, produz commodity. Nós não comemos commodity, mas sim alimento. Ou seja, a reforma agrária ainda é um tema relevante e será por muito tempo. Até criar-se alimento em laboratório - alguns dizem ser possível, mas ainda não em grande escala -, mas mesmo isso não substitui outras relações que mantemos com o nosso território e a terra, a reforma agrária continuará a ser um tema relevante.
O alimento que chega à nossa mesa é produzido pelo médio e pelo pequeno produtor. Em um país onde quase metade da população sofre com insegurança alimentar, podendo até saber o que comerá amanhã, mas não sabe no dia seguinte, isso mostra que fizemos uma opção muito equivocada no passado e não soubemos corrigi-la ao longo do tempo. Essa é uma questão relevante. Escrever sobre isso me ajuda a refletir sobre os problemas do país e leva também um pouco dessa necessidade de reflexão aos leitores. Muita gente sequer sabia o que era uma comunidade quilombola, por exemplo. Falo porque os leitores dizem isso para mim quando leram “Torto Arado”. A partir dali, desperta-se para a necessidade de se pensar no direito à terra e ao território das comunidades quilombolas e de inúmeras comunidades indígenas e tradicionais que vivem também não apenas no Brasil, mas em outros lugares do mundo.
Isso remete ao debate sobre o epistemicídio da população negra, quilombola e indígena. Você considera que “Torto Arado” e “Salvar o Fogo”, assim como “Doramar ou A Odisseia”, podem ser chamados à reflexão sobre o epistemicídio e maneiras de propagar sabedoria ancestral?
Itamar Vieira Junior: Sim. Essa é uma questão importante. Ali, com a trama e o enredo dessas histórias, existem, no primeiro plano, as vidas dessas personagens, que são carregadas de um sentido muito particular e próprio. Há maneiras e maneiras de se viver e relacionar com o mundo. Muita gente diz que “Torto Arado” e “Salvar o Fogo” são produtos de realismo mágico. Refuto essa ideia sempre quando sou provocado. Até brinco que García Márquez dizia que não escrevia realismo mágico, mas sim realidade - e as pessoas precisavam conhecer a América Latina. Da mesma maneira, como a história é contada em “Torto Arado”, dando voz inclusive a espíritos e entidades que rotineiramente não aparecem dessa maneira na literatura, estou convocando o leitor a abandonar um pouco as suas crenças e maneira de ver e viver o mundo para adentrar em outras formas de ver e vivê-lo e poder tocar e sentir pelo menos.
Tudo isso tem relação profunda com a ideia de que todos estão produzindo epistemologias e visões de mundo que não se sobrepõem a outras, mas são capazes de mostrar muito a nossa diversidade enquanto espécie, ser vivo e ser humano - é mais ou menos isso. E desperta para a questão do epistemicídio, de como muitos saberes que não são necessariamente científicos ou referendados pela ciência, pela universidade ou pelo pensamento e razão ocidentais, mas como eles são, por muitas vezes, tidos como menores e são sufocados. Esses saberes podem dizer muito sobre todos nós. Nesse sentido, isso nos convoca a refletir sobre o epistemicídio.
Outro ponto que veio à tona, pensando no arco de Luzia em “Salvar o Fogo”, é o debate sobre a recepção do manto tupinambá no Museu Nacional e a invisibilização dos Tupinambás. É pertinente associá-lo à crítica ao colonialismo, a respeito da produção intelectual ou até mesmo de uma questão existencial?
Itamar Vieira Junior: Acho que tem relação, como você fala, não só uma crítica social e histórica à colonialidade. É pensar como ela impactou e impacta as nossas existências. Estudamos a colonização como algo do passado, mas isso impacta nossas vidas até o presente - e de maneira que sequer nos damos conta. No fundo, as histórias de “Salvar o Fogo” e “Torto Arado” nos convocam a refletir como a escravidão e a colonialidade ainda impactam a nossa vida. Em “Salvar o Fogo”, por exemplo, o direito que todos temos à memória está em jogo. Ali, aquelas pessoas sequer sabem quem são. A história chega para Luzia por outras epistemologias que não são as convencionais, mas por meio de visões e de sentimentos. E ela recupera algo que os avós contavam: a trajetória de quem vestia aquele que não é apenas um manto, mas sim um objeto sagrado e diz muito sobre quem eles são.
Da mesma forma, a história de “Torto Arado” traz isso quando as pessoas falam da sua relação com a religiosidade. Não é apenas a religiosidade que está ali no primeiro plano: é muito de quem eles são, do que eles puderam preservar ao longo do tempo, da relação com a natureza, com o oculto, entre mundos e com suas crenças. Durante muito tempo o Brasil não soube lidar muito bem com essa memória e ainda não sabe, de alguma maneira, lidar com a diversidade sociocultural de seu povo e de sua sociedade. Por exemplo, uma coisa importante que vigorou por muito tempo é que era um país mestiço. Um país que se promoveu mestiço, mas também com uma história de certo embranquecimento, que existia implicitamente - às vezes era declarado, mas muitas vezes não era.
Não nos foi permitido, de uma maneira mais ampla e geral, celebrar a diversidade como deveria ser. O pensamento colonial europeu se sobrepôs aos outros, os quais foram fetichizados e, como posso dizer também, exotizados. Só se falava disso para justificar e celebrar sem refletir profundamente sobre isso: o que essas histórias trazem também é sobre a importância do direito à memória. Todos temos direito a esta memória. A literatura tem função importante também, mas as pessoas não se dão conta disso: é sobre recontar uma história que nos foi negada de inúmeras maneiras. Durante muito tempo, ela foi e continua a ser contada pelos vencedores. Acontece que muita coisa foi apagada e a literatura pode nos restituir isso: ela reflete sobre o nosso tempo e a nossa sociedade.
A história do manto tupinambá em “Salvar o Fogo” tem relação profunda, por exemplo, com a de Glicéria Tupinambá, ativista indígena que começou a viajar para poder falar das necessidades da sua sociedade e de sua etnia, e encontrou esse manto nos museus da Europa. Enquanto esse manto não vinha, ela sentiu uma forte reconexão com essa história - ela mesma a produziu. Estamos, de alguma maneira, nos reconectando com essa história que nos foi negada e retirada por meio da violência promovida pelo empreendimento colonial, escravista e pelo genocídio indígena. Não é só refazer um manto, um objeto: é refazer para entender a si próprio e se reconectar com esse passado que nos foi negado.
"A literatura tem função importante também, mas as pessoas não se dão conta disso: é sobre recontar uma história que nos foi negada de inúmeras maneiras. Durante muito tempo, ela foi e continua a ser contada pelos vencedores. Acontece que muita coisa foi apagada e a literatura pode nos restituir isso: ela reflete sobre o nosso tempo e a nossa sociedade."
Uma das sensações ao ler a sua obra é que, de algum modo, se trata de familiares. Você já ouviu comentários de outras pessoas dizendo que têm impressão de ler a história da própria família?
Itamar Vieira Junior: Sim. Isso é muito interessante. Quando participo de eventos e encontros, leitores falam que ler essas histórias é, de alguma maneira, se reconectar com as suas próprias. É a história de um avô, de um pai ou de uma mãe. Ainda que não seja aquela, em particular, acho que o fio condutor dessas narrativas leva leitores para um lugar muito específico e particular, que ajuda a falar sobre si. Muito do que vem sendo escrito na literatura contemporânea brasileira, e falo em particular de novas vozes, vem de lugares distintos - e tem ajudado leitores a repensar a história do país. É como se, por meio da ficção, pudéssemos recontá-la de modo artístico e literário, assim como as mudanças que vivenciamos no nosso tempo.
Temos vivido mudanças importantes. Embora foquemos muitas vezes nos nossos problemas e não devemos descuidar deles, devemos estar atentos a tudo isso. A sociedade brasileira, nos últimos 30, 20 anos, passou por transformações importantes, que têm modificado um pouco o pensamento da sociedade e a maneira como nos relacionamos com a nossa própria história. Penso que nenhuma obra provoca isso. A mudança está no nosso tempo. Eu, como autor e artista, reflito o meu tempo. O leitor, por sua vez, também: ele está em um ambiente que favorece esse interesse e desejo de refletir. Ele as lê e começa a elaborar suas próprias referências sobre o mundo, as coisas à sua volta e sobre o que está acontecendo.
É um momento da literatura refletir o que acontece à nossa volta: o interesse em recontar a história do Brasil e reescrevê-la, pois ela foi, em grande medida, escrita por pessoas que ocupavam lugares de privilégio. Agora, o mundo se abre para quem foi alijado desse processo e não era convocado para contar suas histórias encontrar, enfim, meios de contá-las. E os leitores são parte importante dessa engrenagem - uma coisa não existe sem a outra. O que eu e meus pares escrevemos encontra eco e corpo na vida dos leitores. Se não encontrassem, ninguém falaria sobre o que estamos escrevendo. Isso reflete o desejo, a ansiedade e a vontade deles de se reconectar com uma história que não foi contada.
Outro ponto que vem à tona é o debate sobre censura de obras como “O Avesso da Pele”. Você considera que, não somente o seu trabalho, mas os de escritores como Jeferson Tenório e José Falero, são marcos de resistência contra perspectiva que flerta com o obscurantismo e trazem à tona contranarrativas invisibilizadas?
Itamar Vieira Junior: Sem dúvida. Essas obras falam do nosso tempo e se reconectam com ele. E, como no passado, elas não estão imunes à censura, também - essa não é nenhuma novidade na história da arte. Artistas foram, por muitas vezes, censurados por razões diferentes. Eu lembro, por exemplo, de que nos anos 1930, na Ditadura Vargas [Estado Novo], livros do Jorge Amado foram queimados em praça pública - em particular “Capitães da Areia”.
O que acontece com outros livros, como os de Jeferson e de Ziraldo, também censurado recentemente, é que precisaremos lidar com alguns retrocessos. Mas o importante, entendo, é que o próprio fazer artístico é uma resposta a qualquer espécie de obscurantismo e retrocesso. É sempre levantar uma bandeira em prol da liberdade. Escrever sempre será provocado por um incômodo, o qual reverbera de maneiras diferentes nas pessoas. Alguns querem olhar para o que importa e está sendo feito. Outros preferem não ver e, muitas vezes, censuram para não ver. Mas o fazer artístico, a escrita em si, é um ato de resistência.
Ninguém consegue censurar, ainda mais no nosso mundo, o qual está cada vez mais conectado. Essa censura ecoa de tal forma que aumenta o interesse por essa obra. Foi o caso de Jeferson Tenório: o livro dele vendeu mais durante esse período. Isso é positivo, pois mostra que grande parte das pessoas não aceita essa censura. Teremos de lidar com isso a todo momento, mas o fato de escrever e de ler já é uma resposta a tudo isso. Resistiremos.
“Torto Arado” está passando por um processo de adaptação para o audiovisual e você falou sobre a “trilogia da terra”. O que você pode falar a respeito da próxima obra? E como você vê a questão multimeios e multinarrativas, pensando na adaptação da literatura para o audiovisual?
Itamar Vieira Junior: Vou começar pela segunda parte. “Torto Arado” já tem uma adaptação para o teatro [“Depois do Silêncio”] que, acho, passou por 15 países desde 2022 e é uma adaptação da [encenadora e cineasta] Christiane Jatahy com atores incríveis - infelizmente não passou pelo Brasil. Há uma adaptação para musical que estreará em setembro. Sobre a adaptação audiovisual não tenho muitas notícias, mas a última em que tive é de que houve uma sala de roteiro com cinco roteiristas, mulheres negras, que fizeram um excelente trabalho. Tento não me ocupar disso, pois acho que vai distrair do que é importante para fazer: escrever, cuidar e promover os lançamentos no Brasil e fora do país. Mas acho interessante a literatura também extrapolar a linguagem do papel e do livro, e encontrar leitores de outra maneira a partir das leituras que fizeram e da adaptação dessas histórias.
Gravei recentemente o audiolivro de “Salvar o Fogo” e Zezé Motta gravou o audiolivro de “Torto Arado”. Gosto de pensar que quem adapta tenha certa liberdade também para pensar e entregar ao seu público a sua interpretação daquela história, que sempre será pessoal e estrita - outros, no futuro, poderão adaptar de maneira diferente. Sobre a terceira parte, quase não falo sobre o que escrevo, mas posso dizer que a questão de memória e territorialidade ainda continua central. “Torto Arado” começa na região da Chapada Diamantina, onde há dois rios que impactam muito a vida das pessoas: Utinga e Santo Antônio. Esses rios deságuam no rio Paraguaçu, um território central em “Salvar o Fogo”, o qual deságua na Bahia de Todos os Santos, por sua vez, a região que cerca Salvador, que foi a primeira capital do Brasil e traz muitas marcas do nosso passado, seja na sua arquitetura, na sua configuração e até mesmo na sua história e cultura.
Será um livro centrado na questão da memória e da territorialidade, agora nos dois polos da cidade e do campo. E mostrará e refletirá, de alguma maneira, como a nossa vida ainda é impactada por esses eventos traumáticos. Mas não é só sobre isso. Sempre digo que não é um fetichismo pela dor ou pela violência. Todos estamos em um exercício muito importante de refletir sobre o nosso passado para compreender o presente para projetar um futuro diferente. Acho que a ideia é sempre olhar para frente para não repetir os erros do passado e compreender o hoje. Ao fazê-lo, criamos pilares sólidos para um futuro diferente, mais equânime e com menos desigualdade de toda ordem, seja social ou racial.