Pode-se dizer, sem exageros, que 21 de setembro de 2022 entrou para a história. Sueli Carneiro, filósofa, escritora, ativista do movimento negro, cofundadora da organização Geledés - Instituto da Mulher Negra e conselheira da Plataforma Ancestralidades, tornou-se nesse mesmo dia a primeira mulher negra a receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).
A solenidade, que foi realizada no Auditório Esperança Garcia, situado na Faculdade de Direito da UnB, resultou de iniciativa tomada pela equipe do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam), cujo pedido de outorga da honraria fora aprovado pelo Conselho Universitário (Consuni) da instituição.
Durante o seu discurso de agradecimento, Sueli Carneiro destacou o papel pioneiro da UnB como universidade pioneira na adoção de cotas sociais - entre as quais havia critérios raciais - e o caráter transformador da iniciativa. “O sistema foi implantado e implementado mudando significativamente o perfil do campus, com a inclusão de mais de 30 mil estudantes por meio das cotas raciais.”
Ainda, Sueli Carneiro ressaltou a expectativa de que a importância da UnB como liderança e modelo para demais instituições de ensino superior no país, o que, nas palavras da intelectual e liderança antirracista, “torna este título mais importante ainda para mim pelo reconhecimento da minha trajetória, ao longo da qual procurei fazer da minha reflexão intelectual e da minha escrevivência uma espada - como convém a uma filha de Ogum que sou.”
“Uma resistência feita de sonhos libertários que conformam uma nova estética social, fundada em outra ética em que a diversidade humana se constitui o mais belo espetáculo da natureza a ser preservado. Essa é a missão civilizatória e, talvez, o ponto mais alto e importante da agenda que nos impulsiona.”
(Sueli Carneiro)
Vida, obra e honoris causa
Confira neste vídeo a íntegra da solenidade da UnB na qual Sueli Carneiro recebeu o título de Doutora Honoris Causa. Saiba mais também sobre a trajetória da intelectual na Plataforma Ancestralidades.