Gonçalina Eva Almeida de Santana

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Gonçalina Eva Almeida de Santana (Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso). Liderança quilombola, professora. Quilombola nascida na comunidade de Mata Cavalo, situada no município de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso. Professora da educação básica do estado de Mato Grosso, mestra em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Escolar Quilombola (Gepeq/UFMT), é uma das fundadoras do movimento quilombola no Mato Grosso e faz parte da diretoria executiva da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).

Gonçalina faz parte de uma das poucas famílias que resistem ao processo de expropriação das terras tradicionalmente ocupadas pela comunidade quilombola de Mata Cavalo. Sua avó, que leciona na Escola Estadual de Nossa Senhora do Livramento, favorece o início dos seus estudos. Ao ingressar na escola, experimenta a dupla discriminação por parte de colegas e dos próprios professores por conta da sua negritude e da sua condição rural.

Em 1996, entra no Grupo de União e Consciência Negra do Estado de Mato Grosso (Grucon-MT) e no cargo de secretária da recém-criada Associação de Pequenos Produtores Rurais de Mata Cavalo, a pedido da sua avó, uma das lideranças da comunidade. No Grucon, conhece uma história do povo negro com a qual até então não havia tido contato. Na associação de Mata Cavalo, passa a organizar a documentação da associação, escrever ofícios, além de ler e explicar leis e documentos oficiais para os demais membros, na sua maioria analfabetos. Com isso, Gonçalina vai se apropriando da história da sua comunidade, situando-a na história maior do negro no Brasil e fazendo crítica à história apresentada no livros didáticos.

Mata Cavalo, entretanto, encontra dificuldades no seu reconhecimento como remanescente de quilombos e, com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), busca suporte junto à UFMT. Os estudos históricos desenvolvidos por Maria de Lourdes Bandeira no final da década de 1980 dão apoio à comunidade no contato com a Fundação Cultural Palmares (FCP) e no reconhecimento oficial da comunidade como remanescente de quilombos. 

A partir de então, Gonçalina passa a participar do movimento quilombola em formação no estado e, por meio dele, a integrar a Conaq. Em 2003, é convidada a integrar, como membro da Conaq, o grupo interministerial que discutiria a formulação do Decreto nº 4.887 (que, naquele mesmo ano, viria a regulamentar o artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988) e a formulação de políticas públicas para o setor. É um período de intensa atuação junto às comunidades negras do estado, o que lhe traz destaque público e político. Em 2002, recebe o prêmio Consciência Negra, da Câmara Municipal de Nossa Senhora do Livramento. Em 2003, recebe o título de excepcional contribuição para a valorização da mulher negra Mato-grossense, do Instituto de Mulheres Negras (Imune), e a moção de homenagem por relevantes trabalhos na luta em favor da humanidade e contra o racismo, da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).

Entre 2005 e 2009, Gonçalina cursa graduação em pedagogia pela Faculdade Educacional da Lapa e promove discussões entre as professoras da escola da sua comunidade sobre mudanças no currículo da escola. Também participa dos debates promovidos pela Secretaria de Educação do Estado (Seduc) a partir de 2008. Em 2010, a Seduc cria a Superintendência de Diversidades Educacionais e edita as Orientações curriculares: diversidades educacionais, contemplando as comunidades quilombolas.

Em 2012, a comunidade de Mata-Cavalo consegue a reconstrução e reinauguração da Escola Estadual Quilombola Professora Tereza Conceição Arruda, com a designação de Gonçalina como primeira diretora da nova escola. Tem início, então, a construção e implementação de um currículo diferenciado quilombola. Em 2013, participa do seminário “Comunidades quilombolas de Mato Grosso: território, educação e patrimônio cultural”, realizado pela UFMT, que marca o início das discussões que dão origem ao Programa de Inclusão de Estudantes Quilombolas (Proinq) da universidade.

Em 2014, Gonçalina é convidada a ocupar a Superintendência de Diversidade (SDE) da Seduc-MT, passando a atuar, até 2016, à frente da educação para quilombolas, indígenas, camponeses e imigrantes. Por meio de parcerias com a UFMT, Gonçalina cria um programa destinado à formação específica para professores quilombolas e apoia a criação Proinq (instituída pela Resolução Consepe nº 101, de 26 de Setembro de 2016), que passa a ofertar 100 vagas anuais do vestibular para candidatos quilombolas por um período de dez anos, a partir de 2017. O ano de 2016 é o único no qual a Seduc apoia a realização de provas para o processo seletivo quilombola nas próprias escolas estaduais situadas nas comunidades quilombolas, de forma a facilitar o acesso dos estudantes. Em 2016, a SDE-SEDUC-MT publica a Resolução Normativa nº 002/2016-CEE/MT, que dispõe sobre a normatização da educação escolar quilombola nos estabelecimentos de educação básica do sistema estadual de ensino.

Simultaneamente ao trabalho na SDE-SEDUC, Gonçalina passa a frequentar o Gepeq/UFMT e, em fevereiro de 2017, inicia seu mestrado acadêmico em educação. Em 2019, defende a dissertação Saberes e fazeres quilombolas: um olhar sobre as práticas pedagógicas da área de ciências humanas da escola de Mata-Cavalo.

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