Movimentos negros

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Em sua formulação moderna, os movimentos negros são formados por organizações, coletivos, entidades, redes, associEm sua formulação moderna, os movimentos negros são formados por organizações, coletivos, entidades, redes, associações, agências coletivas, organizações não governamentais políticas e representam coalizões culturais, de sociabilidade, religiosas, rurais e urbanas presentes em todo território nacional, protagonizadas por pessoas negras com o objetivo de superar o racismo.

Durante o período de escravidão no Brasil é possível identificar ações em defesa das pessoas negras e contra a escravidão e o colonialismo. Muitos intelectuais, como Clóvis Moura (1925-2003), afirmam que as bases do movimento negro brasileiro estão nas formas associativas negras empreendidas durante o período colonial.

Outros intelectuais, como Florestan Fernandes (1920-1995), e Lélia Gonzalez (1935-1994), tratam os movimentos negros como expressões políticas, sociais e culturais, especialmente a partir do período posterior da abolição da escravatura no Brasil (1888).

Recentemente, os movimentos negros se insurgem contra o racismo estrutural presente na sociedade brasileira moderna sob o sistema capitalista. São contrários à persistência de preconceitos arraigados e herdados do sistema escravocrata, bem como defendem a prevalência de valores igualitários entre negros e brancos não somente em discursos, mas sobretudo nas ações concretas de indivíduos e de instituições privadas e públicas.

Esses valores igualitários são reivindicações constantes na trajetória desses movimentos. Suas formas de expressão mais duradouras são os jornais negros, que compõem a chamada imprensa negra, composta por boletins, tabloides e periódicos que surgem no século XIX no país e persistem até o século XXI, em forma digital. Esses veículos têm como objetivo denunciar as violências e violações contra pessoas negras e valorizar as inventividades e criatividades desse grupo social, tratando de suas personalidades, obras e ações relevantes para a cultura e a economia do país.

São expressões dos movimentos negros também as associações e organizações negras. Na primeira parte do século XX, a mais importante delas é a Frente Negra Brasileira (FNB), que sucede a organização negra Centro Cívico Palmares, de 1926. Nessa entidade há espaço para lazer, produção de jornal, esportes, bailes, cursos de alfabetização, além das reuniões políticas para discutir formas de atuação contra o preconceito racial no país.

O historiador Petrônio Domingues mostra que, desde o início do século XX, os movimentos negros não são exclusivamente masculinos. Pelo contrário: as mulheres negras atuam fortemente nas atividades dessas organizações. Exemplo disso é A Cruzada Feminina, grupo que realiza trabalhos assistenciais e de cuidado. Em vários outros casos, mulheres negras estão na base da organização, a exemplo das Rosas Negras, que atuam na produção cultural de festas, bailes e atividades artísticas.

A União dos Homens de Cor (UHC) surge no sul do país em 1943. Em 1944, é a vez do Teatro Experimental do Negro (TEN) apresentar-se na cena carioca, com o objetivo de  politizar o preconceito racial e pensar novas formas de representação do negros nas artes e fora delas. Com o golpe civil-militar de 1964 e, sobretudo, com o endurecimento do regime ditatorial a partir de 1968, as mobilizações negras são enfraquecidas, mas ainda se mantêm na cena cultural do país.

A Associação Cultural do Negro é um exemplo de organização que resiste ao período autoritátio Em 1971 é criado o Centro de Cultura e Arte Negra (Cecan), organização liderada por Thereza Santos (1930-2012) e Eduardo de Oliveira e Oliveira (1923-1980), que se movem da política à cultura, promovendo o ativismo negro brasileiro por meio de linguagens estético-artísticas, como música, performance teatral, samba, entre outras manifestações.

Em 1978 emerge o Movimento Negro Unificado (MNU), que torna visível uma miríade de organizações e coletivos espalhados por todo o Brasil, como o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), além de clubes negros, associações culturais e o Grupo Palmares. O MNU torna-se um marco da luta negra contemporânea.

Novos coletivos se formam no contexto de abertura política no Brasil. A novidade maior é a emergência do movimento de mulheres negras, que nasce do movimento negro e alimenta-se nos movimentos feministas para se emancipar de ambos.

Durante todo o século XX, os movimentos negros e seus ativistas realizam vários encontros, internacionais e nacionais, com o objetivo de promover o debate sobre a temática racial e lutar contra o mito da democracia racial.

No conjunto, esses movimentos obtêm conquistas importantes: reconhecer Zumbi dos Palmares como herói nacional e criar espaços nos partidos políticos para viabilizar candidaturas negras e pautar leis antirracistas. Talvez uma das suas maiores conquistas consiste nas ações afirmativas, que se tornam a linguagem da inclusão e da igualdade no século XXI.

No novo século, além das políticas resultantes das lutas dos movimentos negros, deve-se notar uma mudança geracional e a emergência de novos ativismos. Os coletivos universitários e das periferias são os exemplos da emergência de uma nova expressão do movimento negro no Brasil.

Desde o final do século XIX, os movimentos negros persitem na luta antirracista, pautando a igualdade racial. São múltiplas formas de enfrentamento do racismo, que assumem várias expressões ao longo do tempo. Sua capacidade de resiliência e de reinvenção também é uma marca que mostra a vitalidade dessas organizações para o fortalecimento da democracia no Brasil.

ações, agências coletivas, organizações não governamentais políticas e representam coalizões culturais, de sociabilidade, religiosas, rurais e urbanas presentes em todo território nacional, protagonizadas por pessoas negras com o objetivo de superar o racismo.

Durante o período de escravidão no Brasil é possível identificar ações em defesa das pessoas negras e contra a escravidão e o colonialismo. Muitos intelectuais, como Clóvis Moura (1925-2003), afirmam que as bases do movimento negro brasileiro estão nas formas associativas negras empreendidas durante o período colonial.

Outros intelectuais, como Florestan Fernandes (1920-1995), e Lélia Gonzalez (1935-1994), tratam os movimentos negros como expressões políticas, sociais e culturais, especialmente a partir do período posterior da abolição da escravatura no Brasil (1888).

Recentemente, os movimentos negros se insurgem contra o racismo estrutural presente na sociedade brasileira moderna sob o sistema capitalista. São contrários à persistência de preconceitos arraigados e herdados do sistema escravocrata, bem como defendem a prevalência de valores igualitários entre negros e brancos não somente em discursos, mas sobretudo nas ações concretas de indivíduos e de instituições privadas e públicas.

Esses valores igualitários são reivindicações constantes na trajetória desses movimentos. Suas formas de expressão mais duradouras são os jornais negros, que compõem a chamada imprensa negra, composta por boletins, tabloides e periódicos que surgem no século XIX no país e persistem até o século XXI, em forma digital. Esses veículos têm como objetivo denunciar as violências e violações contra pessoas negras e valorizar as inventividades e criatividades desse grupo social, tratando de suas personalidades, obras e ações relevantes para a cultura e a economia do país.

São expressões dos movimentos negros também as associações e organizações negras. Na primeira parte do século XX, a mais importante delas é a Frente Negra Brasileira (FNB), que sucede a organização negra Centro Cívico Palmares, de 1926. Nessa entidade há espaço para lazer, produção de jornal, esportes, bailes, cursos de alfabetização, além das reuniões políticas para discutir formas de atuação contra o preconceito racial no país.

O historiador Petrônio Domingues mostra que, desde o início do século XX, os movimentos negros não são exclusivamente masculinos. Pelo contrário: as mulheres negras atuam fortemente nas atividades dessas organizações. Exemplo disso é A Cruzada Feminina, grupo que realiza trabalhos assistenciais e de cuidado. Em vários outros casos, mulheres negras estão na base da organização, a exemplo das Rosas Negras, que atuam na produção cultural de festas, bailes e atividades artísticas.

A União dos Homens de Cor (UHC) surge no sul do país em 1943. Em 1944, é a vez do Teatro Experimental do Negro (TEN) apresentar-se na cena carioca, com o objetivo de  politizar o preconceito racial e pensar novas formas de representação do negros nas artes e fora delas. Com o golpe civil-militar de 1964 e, sobretudo, com o endurecimento do regime ditatorial a partir de 1968, as mobilizações negras são enfraquecidas, mas ainda se mantêm na cena cultural do país.

A Associação Cultural do Negro é um exemplo de organização que resiste ao período autoritátio Em 1971 é criado o Centro de Cultura e Arte Negra (Cecan), organização liderada por Thereza Santos (1930-2012) e Eduardo de Oliveira e Oliveira (1923-1980), que se movem da política à cultura, promovendo o ativismo negro brasileiro por meio de linguagens estético-artísticas, como música, performance teatral, samba, entre outras manifestações.

Em 1978 emerge o Movimento Negro Unificado (MNU), que torna visível uma miríade de organizações e coletivos espalhados por todo o Brasil, como o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), além de clubes negros, associações culturais e o Grupo Palmares. O MNU torna-se um marco da luta negra contemporânea.

Novos coletivos se formam no contexto de abertura política no Brasil. A novidade maior é a emergência do movimento de mulheres negras, que nasce do movimento negro e alimenta-se nos movimentos feministas para se emancipar de ambos.

Durante todo o século XX, os movimentos negros e seus ativistas realizam vários encontros, internacionais e nacionais, com o objetivo de promover o debate sobre a temática racial e lutar contra o mito da democracia racial.

No conjunto, esses movimentos obtêm conquistas importantes: reconhecer Zumbi dos Palmares como herói nacional e criar espaços nos partidos políticos para viabilizar candidaturas negras e pautar leis antirracistas. Talvez uma das suas maiores conquistas consiste nas ações afirmativas, que se tornam a linguagem da inclusão e da igualdade no século XXI.

No novo século, além das políticas resultantes das lutas dos movimentos negros, deve-se notar uma mudança geracional e a emergência de novos ativismos. Os coletivos universitários e das periferias são os exemplos da emergência de uma nova expressão do movimento negro no Brasil.

Desde o final do século XIX, os movimentos negros persitem na luta antirracista, pautando a igualdade racial. São múltiplas formas de enfrentamento do racismo, que assumem várias expressões ao longo do tempo. Sua capacidade de resiliência e de reinvenção também é uma marca que mostra a vitalidade dessas organizações para o fortalecimento da democracia no Brasil.


 

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