Pontão do Jongo
O Pontão de Cultura Jongo/Caxambu, ou simplesmente Pontão do Jongo, é um programa de pesquisa e extensão universitária desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que atua desde o ano de 2008 junto a comunidades jongueiras da região Sudeste do Brasil. Constitui-se como um programa coletivo de salvaguarda do jongo e dos mestres/as jongueiros/as, materializando uma rede de assessoria, troca e articulação entre as dezesseis comunidades jongueiras que atende. Há comunidades atendidas pelo programa em todos os estados do Sudeste, ainda que a maioria esteja localizada no estado do Rio de Janeiro.
O jongo/caxambu é registrado como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan no ano de 2005. Entre as justificativas para o seu registro estão o seu papel na resistência afro-brasileira do Sudeste e o seu caráter de patrimônio cultural, enquanto legado dos povos africanos de língua bantu escravizados no Brasil. O movimento em torno da patrimonialização do jongo ocorre em um contexto, inédito no Brasil, de construção de políticas públicas voltadas aos grupos detentores de saberes da cultura popular [1].
Em 2007, o Iphan e o Ministério da Cultura (Minc) iniciam parcerias com instituições variadas para a implantação de pontos de cultura de bens registrados, como é o caso do jongo. As comunidades jongueiras, que mantêm a tradição do jongo a partir da transmissão de seus saberes às gerações mais novas em seus cotidianos, passam a ser identificadas, protegidas e salvaguardadas por meio dessa política cultural. O Pontão de Cultura Jongo/Caxambu é criado em dezembro daquele ano, após uma reunião que contou com a presença de jongueiros/as, representantes do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), Iphan, UFF, consultores e colaboradores. A UFF é escolhida como gestora do Pontão em função do trabalho que já vem realizando junto a essas comunidades nos campi interiorizados da universidade, localizados nas regiões sul e noroeste do estado do Rio de Janeiro.
Suas ações estão voltadas a três eixos:
1) Articulação/Distribuição. Eixo voltado à realização, promoção e organização de eventos entre as comunidades; assessoria para a melhoria das condições materiais de suas atividades voltadas ao jongo; premiações que viabilizem suas ações locais; articulação de políticas públicas em benefício das comunidades por meio da sistematização de dados levantados sobre seu perfil social.
2) Capacitação/Qualificação. Eixo voltado à realização de oficinas com temáticas sugeridas por jovens lideranças jongueiras; assessoria quanto à leitura de editais, elaboração de planilhas e projetos, dentre outros.
3) Difusão/Divulgação. Eixo voltado à produção e divulgação de produtos culturais como livros e filmes relativos às comunidades jongueiras. Um produto deste eixo é o fichário O jongo na escola (2009), composto por uma coletânea de nove documentários produzidos junto a algumas comunidades jongueiras. Esses documentários são acompanhados de pequenos textos que trazem sugestões didáticas para instituições de ensino incorporarem práticas educativas pautadas na Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica. Contém também um livro didático intitulado “Pelos caminhos do jongo/caxambu: história, memória e patrimônio”, organizado pelo Laboratório de História Oral e Imagem, da UFF. O material do fichário traz subsídios para que as escolas, em particular as que se situam próximas ou dentro de comunidades jongueiras, abram suas portas ao jongo, aos jongueiros e às jongueiras.
O Pontão de Cultura Jongo/Caxambu se configura como um campo de investigação e intervenção sobre a cultura e a identidade negra à medida que contribui para a construção e implementação de políticas culturais voltadas para a promoção, valorização e reconhecimento do jongo, tanto em comunidades tradicionais, como na sociedade como um todo.
Nota
[1] Um retrato dessas políticas é o Programa Cultura Viva lançado em 2004 pelo Ministério da Cultura, que tem os Pontos de Cultura como elemento central em sua estrutura de implementação.
