Balaiada
Os conflitos em torno do recrutamento forçado de homens livres pobres para o exército estão na origem da grande revolta conhecida como Balaiada. Iniciada na porção oriental do Maranhão, se estende pelo Piauí e chega a envolver dois municípios do Ceará.
Em 22 de novembro de 1838, na Vila de Brejo, Francisco Ferreira, alcunhado de Balaio, em conjunto com outros homens, consegue libertar um dos seus filhos do comboio de soldados que o leva algemado para servir como recruta. A façanha motiva Balaio a constituir um grupo armado de oposição ao recrutamento compulsório e estimula o surgimento de outros grupos com perfil paramilitar, que conta com forte adesão camponesa.
Poucos dias depois, em 13 de dezembro, vaqueiros liderados por Raimundo Gomes Vieira tomam de assalto a cadeia da Vila Manga, libertam os presos e tomam posse do armamento disponível. O manifesto redigido no dia seguinte exige a exoneração do presidente da província e a abolição das prefeituras responsáveis pelo recrutamento.
A duração e a extensão geográfica do conflito favorecem a formação de quilombos e constitui uma oportunidade política para deflagrar, em meio à revolta, uma insurreição de escravos. Embora não haja nenhum texto dos rebeldes exigindo explicitamente o fim do cativeiro, é flagrante a colaboração entre rebeldes livres e quilombolas durante a revolta e a atuação do líder negro Cosme Bento das Chagas (entre 1800 e 1802-1842), autoproclamado “Tutor e Imperador da Liberdade”, com seu exército de cerca de 3 mil escravos rebelados, incorpora decisivamente esta causa à rebelião.