
Fórum Nacional de Juventude Negra
O lançamento do Fórum Nacional de Juventude Negra (Fonajune) ocorre entre 25 e 27 de julho de 2008, em Guarujá, cidade do litoral paulista. Surge como consequência direta do 1º Encontro Nacional de Juventude Negra (Enjune). O fórum é “um espaço de articulação, interação e aglutinação de grupos, organizações e articulações de juventude negra interessados na organização e articulação nacional” [1] e se define como plural, suprapartidário, afrocentrado e sem vínculos religiosos.
Após mais de dois anos de debates que dão origem ao Enjune, em 2007, é eleito um colegiado com mandato provisório de um ano e a incumbência de organizar o fórum, que elege uma coordenação nacional para representar a juventude negra brasileira como uma organização oficial do movimento negro do país.
De estrutura horizontal, a coordenação do fórum se constitui a partir de dois representantes de cada estado brasileiro, sendo que cada dupla deve ser composta por pelo menos uma mulher. Esse é o modo como se constituem importantes seções do Fonajune nos estados, desempenhando atividades locais de mobilização da juventude negra em aproximadamente vinte estados do Brasil. As formas de filiação podem ser individuais ou institucionais, isto é, tanto ativistas quanto organizações podem pertencer ao Fonajune.
O Fonajune se engarrega de representar a juventude negra na interlocução com o poder público e nos espaços criados pelo movimento negro. Desde sua criação em 2008, passa a ocupar, como convidado, um assento no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e em 2009 ocupa definitivamente a vaga na cadeira de juventude negra. O Fonajune também possui cadeira no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e no Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (CNSP).
Associado ao Enjune, o fórum desenvolve uma pauta de atividade política estreitamente derivada do relatório que o encontro consolida. A bandeira “Contra o genocídio da juventude negra” é a sua prioridade de debate em todos os espaços por onde passa. Isso significa dizer que assuntos como direitos humanos e segurança pública estão no escopo de debate da organização.
Entre 2012 e 2014, o Fonajune acompanha a elaboração e a implementação do Plano Nacional de Redução da Vulnerabilidade Juvenil à Violência, chamado de Plano Juventude Viva, que propõe o debate com os movimentos sociais. Nesse sentido, o fórum desempenha um papel estratégico para o desenvolvimento de políticas públicas no Brasil.
O Fonajune representa o resultado do primeiro experimento nacional de organização política da juventude negra brasileira com representação institucional, capilaridade e agenda política objetiva e estratégica.
