Guerra dos Marimbondo
A chamada Guerra dos Marimbondos, ou Revolta do Ronco da Abelha, como também é conhecida em alguns estados, é uma sedição de homens livres pobres contra o decreto imperial de 18 de junho de 1851, que torna obrigatório, em cada paróquia, o registro de óbitos e nascimentos.
O decreto coincide com o contexto da Lei Eusébio de Queirós (1850) [1], que torna crime o tráfico negreiro, e insufla o temor de que a contagem e o registro racial da população resultem na escravização de negros livres. O movimento, que acontece entre dezembro de 1851 e fevereiro de 1852, tem como foco o estado de Pernambuco, mas se alastra por Alagoas, Paraíba, Sergipe, Ceará e norte de Minas Gerais.
Embora infundados, os temores dos revoltosos revelam a porosidade das fronteiras entre liberdade e escravidão, bem como o crescimento das apreensões em torno da centralidade das classificações de cor em uma sociedade que, lenta e progressivamente, abole a escravidão.
Nota
[1] A Lei n. 581, de 4 de setembro de 1850, conhecida como Lei Eusébio de Queirós, passa a considerar crime o tráfico de escravos. A lei é promulgada, sobretudo, por pressão da Inglaterra, que estabelece a extinção da importação de escravos como condição para o reconhecimento da independência brasileira.