Rebelião escrava em Camamu
A rebelião de escravizados ocorrida na vila de Camamu, litoral sul da Bahia, pertencente à então capitania de Ilhéus, destaca-se como um dos poucos movimentos do gênero ocorridos no século XVII.
Camamu pertence à região dedicada à produção de alimentos, cujos arredores são marcados pela presença de mocambos e metade da população é de escravos. A distância da cidade de Salvador e a ameaça de ataques indígenas que habitam o sertão próximo tornam o controle militar da região instável e contribuem para a eclosão do levante.
Cerca de cem pessoas tomam parte da rebelião, lideradas, segundo fontes, por cinco mulatos que partem de um mocambo e atacam a vila, onde recrutam escravos, sequestram mulheres e crianças e matam alguns homens brancos.
Após o ataque, os rebeldes se estabelecem no quilombo de Santo de Antonio, situado em um monte a cerca de dezoito quilômetros da vila e protegido por uma estacada. O governo envia uma tropa que consegue debelar a rebelião, aprisionando mais de oitenta pessoas e deixando, entre os amocambados, quatro mortos e 25 feridos.