Diversidade

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A diversidade pode ser entendida como variedade, pluralidade e diferença, e expressa a ideia de multiplicidade em diversos enfoques, como culturais, étnicos, linguísticos, religiosos, de gênero, de raça, de nacionalidade, entre outros aspectos. No Brasil, diversidade é exigência  fundamental para as áreas da educação, do trabalho e de outros espaços de convivência na sociedade.

A diversidade se mostra primordial para o desenvolvimento das empresas. Segundo pesquisa realizada em 2017 pela empresa de consultoria empresarial estadunidense McKinsey & Company, a diversidade é um elemento que agrega vantagens competitivas às organizações, que só têm a ganhar ao investir na pluralidade de seu quadro de profissionais. A pesquisa destaca que as organizações que apresentam diversidade étnica e cultural em cargos de liderança têm potencial de faturamento 33% superior ao de empresas que não contam com essa pluralidade. Por sua vez, as que apostam em diversidade de gênero em suas equipes executivas têm chances de faturar até 15% mais. Além disso, equipes de trabalho mais diversificadas, que incluem diferentes gêneros, etnias, idades e habilidades, aumentam as possibilidades de entrega de produtos e serviços mais criativos e atraentes.

No Brasil, a partir dos anos 1990, a promoção da diversidade nas organizações se torna um verdadeiro desafio para os gestores. Estudos realizados entre 1999 e 2010 demonstram que as empresas que implementam programas dedicados à diversidade privilegiam sempre a equidade de gênero, mas deixam em segundo plano a questão racial, um verdadeiro tabu que permanece sem o mesmo tratamento. O resultado é, segundo o Instituto Ethos, o número alarmante no que se refere às desigualdades raciais em ambiente empresarial. Esse abismo entre negros e brancos no mundo corporativo persiste mesmo após a implementação de ações afirmativas que oportuniza o ingresso de milhares de homens e mulheres negros nas universidades do país. Apenas entre os anos de 2012 e 2015, são mais de 2,1 milhões de estudantes que ingressam em instituições de nível superior. 

Pesquisa realizada em 2016 pelo mesmo instituto com as quinhentas maiores empresas do país mostra que apenas 6,3% dos cargos de gerente são ocupados por negros e menos de 5% do quadro de profissionais alcança cargos executivos. A situação da mulher negra é ainda mais grave: mesmo que o número de mulheres que completam o ensino superior seja 11% maior que o de homens, apenas 1,6% delas atua como gerente, e apenas 0,4%, como executiva, isto éi, uma proporção de duas mulheres para 548 diretores do gênero masculino.

Os dados apontam para um ciclo de desigualdades persistentes, sobretudo no topo da hierarquia profissional e econômica, evidenciando a existência de imobilidade de classe no Brasil com contornos de rigidez racial. O estudo de Marcia Lima, Flavia Rios e Danilo França, realizado em 2013 e produzido a partir dos dados agregados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referente ao campo do trabalho, demonstra considerável desigualdade racial entre brancos e negros mais escolarizados, especialmente quando se trata de ocupação de cargos de maior status e maior probabilidade de perder essa posição.

Dados da pesquisa internacional Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2017 evidenciam a sub-representação de homens e mulheres negros nas categorias de empresários e empreendedores, apesar de serem maioria populacional do país e entre os empreendedores. De acordo com o estudo, empreendedores negros têm  os menores rendimentos: 60% não lucram nada, 18% lucram até dois salários-mínimos e apenas 1% dos empresários negros conta com rendimentos na faixa entre R$ 60 mil a R$ 360 mil. Em comparação aos empreendedores brancos, 25% possuem rendimentos de até dois salários-mínimos e o número dos que faturam mais de R$ 60 mil é três vezes maior.

Com o crescimento do debate sobre igualdade racial no Brasil, especialmente depois da grande repercussão do movimento Black Lives Matter, em 2020, o país tematiza a diversidade no mundo do trabalho. Empresas de grande e pequeno porte passam a investir em cursos de formação na área de recursos humanos e algumas propõem projetos de trainee para jovens negros, estimulando o mercado a pensar sobre diversidade no mundo corporativo.

Uma sociedade inclusiva tende a criar mecanismos para que a diversidade se concretize na prática. A educação é uma das principais arenas para a formação de cidadãos que valorizam a diversidade de origem, de etnia, de gênero e de religião. Para a redução de desigualdades no mundo do trabalho, a diversidade é um imperativo, pois sua intensificação na cultura corporativa tende a diminuir as discriminações e os estereótipos que recaem sobre grupos sociais historicamente discriminados, criando um ambiente mais diverso e plural na sociedade.


 

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