Obi
Noz-de-cola, isto é, semente da coleira, planta da família das Esterculiáceas. Com largo emprego em rituais da tradição religiosa afro-brasileira, é utilizado tanto em oferendas, como em práticas divinatórias. Dele se conhecem duas espécies: o obi-abatá (Cola accuminata), também chamado obi de quatro bandas ou gomos, e o obi-banjá (Cola nitida), de apenas dois. Os frutos têm colorações diferentes, podendo ser brancos, vermelhos e roxos. A tonalidade define sua utilização na prática religiosa, e as funções nos rituais sagrados são específicas à nação de candomblé.
Na prática divinatória pela manipulação do obi-abatá, as nozes-de-cola são divididas em duas partes, uma encoberta pela casca, outra mostrando a polpa. Então, formando um punhado, são lançadas ao alto, para que, em repouso sobre uma superfície – de uma mesa, de uma esteira, no chão etc. –, indiquem, a cada vez, uma destas cinco respostas: Alafiá (todas as partes abertas: positivo); Etaua (uma fechada: relativamente positivo); Ejifé (duas abertas e duas fechadas: completamente positivo); Okanan (só uma aberta: negativo); Oyeku (todas fechadas: perigosamente negativo). Essas denominações, em iorubá, correspondem a odus, respostas codificadas, representadas por sinais gráficos específicos, que, somando 256 possibilidades, constituem o caminho para as respostas enviadas pelo oráculo de Ifá, cuja mais simples versão é a consulta pelo obi.
Outro tipo de uso ritual do obi é a colocação de um obi aberto sobre a cabeça de um iniciando, como confirmação de sua iniciação. Esse ato é popularmente referido como “plantar o obi”. Em Cuba, no jogo chamado biagué, a noz-de-cola é em geral substituída pelo coco-da-baía (Cocus nucifera), que lá recebe o nome obi.
Na língua iorubá, um dos significados de obi é o de fêmea (aquela que dá à luz um ser). Entre os alguns povos bantos, a noz-de-cola pode ser chamada de Dikesu, Makezu ou Kezu. Sua principal função nos cultos desta matriz é fortalecer o Mutue (cabeça) para receber os ritos de iniciação ou as obrigações rituais para os Jinkisi, além de servir de oráculo entre os Jinkisi e os humanos.