Imersão criada por Tiganá Santana está na programação do Itaú Cultural

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Foto: Frédéric Hamelin Um mergulho nas inúmeras possibilidades proporcionadas pelos sentidos para além muito além da visão e, desse modo, deixar-se guiar pelo o que a audição, o tato e o olfato, por exemplo, têm a proporcionar. Ou seja: um convite ao r...

Imersão criada por Tiganá Santana está na programação do Itaú Cultural
Acervo Ancestralidades

Foto: Frédéric Hamelin

 

Um mergulho nas inúmeras possibilidades proporcionadas pelos sentidos para além muito além da visão e, desse modo, deixar-se guiar pelo o que a audição, o tato e o olfato, por exemplo, têm a proporcionar. Ou seja: um convite ao relaxamento.

Este é o mote de “Perder a Imagem”, instalação criada pelo pesquisador, poeta, músico e professor Tiganá Santana, que está aberta para visitação no Itaú Cultural.

Um dos destaques da instalação imersiva é a trilha sonora composta por Tiganá Santana, que é também conselheiro da Plataforma Ancestralidades. A parte musical, que conta inclusive com diversos timbres, melodias e harmonias em sua composição, é inspirada na sentença congo “Wa i mona”, cujo significado é “ver e ouvir”. 

De acordo com Tiganá, a ideia de que os olhos definem tudo é restrita a um conjunto específico de culturas, sendo algumas delas assentadas na perspectiva euro-ocidente, que se tornou hegemônico e passou a ser considerado como se fosse universal. “A ideia desta instalação sonora é também sentirmos, por meio de outras partes do corpo, as presenças das frequências diversas, a escuta de uma de uma obra, a vibração no corpo, na memória, em uma proposição de futuro de frequências.”

Outro ponto emblemático do projeto é a importância que as ideias da historiadora Beatriz Nascimento (1942-1995), que completaria 80 anos em 2022, tem para o projeto. Vale destacar que o título da instalação e os pontos essenciais que a norteiam têm como ponto de partida reflexões de Beatriz sobre a violência sistemática à qual pessoas negras escravizadas eram submetidas desde o momento em que foram vítimas de tráfico humano e trazidas à força do continente africano.

“Ao longo do tempo, também por meio já dos seus descendentes, foram se desfazendo de algum modo da figuração da concretude de toda uma imagística, que não é só um conjunto de imagens, mas também é o acionamento de muitas outras dimensões. Houve um distanciamento por força da violência colonial escravocrata das imagens matriciais assentadas no continente africano. Essa é a primeira dimensão da perda da imagem”, pondera Tiganá Santana.


 

Prestar atenção nos sentidos

Além da trilha sonora composta por Tiganá Santana, a instalação “Perder a Imagem” conta com uma série de elementos que intensificam a intensidade dos sentidos para além da visão. Quem ingressar na trilha imersiva deverá fazê-lo com os pés descalços, inclusive por haver um momento no qual a pessoa poderá colocar os pés na água.

Outros pontos abrangem movimentos lentos de luzes, a possibilidade de se tocar paredes, sentir o chão revestido com fibras de coco e envolver-se por aromas que compõem a experiência sensorial no espaço.

“Trata-se da ativação de outras possibilidades de percepção do real, assim como um questionamento sobre a hegemonia e a profusão desenfreada de imagens que nem sempre implicam a expansão de imaginários”, completa Tiganá Santana.

 

Para sentir e conectar-se a parte interior

A instalação imersiva “Perder a Imagem” fica em cartaz até 12 de fevereiro de 2023 no Itaú Cultural (avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo-SP).

Visitações podem ser feitas de terça a sábado, das 11h às 20h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h.

As sessões têm duração de 20 minutos e o limite espacial é de 15 pessoas a cada vez. Confira mais informações no site do Itaú Cultural.

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