Tempo espiralar e conhecimento contínuo. Esses são aspectos estruturantes da 66ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural, que tem Leda Maria Martins como homenageada. A mostra, que passa por diversos aspectos da trajetória da professora, poeta, ensaísta e dramaturga, está aberta ao público desde 7 de dezembro.
O fio condutor da mostra é homenagear a intelectual, cuja produção inspira de modo espiralar e constante quem estabelece contato com ela. Nesse sentido, um dos objetivos da iniciativa é celebrar o legado e memória de pessoas emblemáticas para a consolidação dos saberes que constituem a intelectualidade brasileira - esse é, obviamente, o caso de Leda Maria Martins.
Desse modo, a pesquisa para construir-se a exposição evidencia os papéis que a importância de não hierarquizar saberes e a priorização de fluidez em vez da rigidez analítica tiveram para nortear a experiência que o público tem ao visitá-la.
“O processo de pesquisa foi movido pelo movimento dos corpos envolvidos com essa pesquisa e mobilizou muitas equipes envolvidas com o projeto. Acreditamos que era preciso, para além – ou junto com – o mergulho nos textos e miríade de conceitos bordados pela teórica, capturar sua performance corpo-voz, engendrada, especialmente, no deslocamento dos rituais”, comenta Galiana Brasil, gerente de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural.
Espaço espiralar
A Ocupação Leda Maria Martins conta com três campos que se retroalimentam e se organizam de modo espiralar.
Um desses campos consiste no espaço físico - ou seja, no próprio Itaú Cultural. Outra área de abrangência da Ocupação compreende o site do projeto, que abriga conteúdos desenvolvidos exclusivamente para essa edição.
Já o terceiro eixo tem a programação, que ancora a produção acadêmica de Leda Maria Martins. Idem a “subjetividade das poéticas das linguagens artísticas. Elas estarão presentes no espaço físico, a partir de provocação que fizemos para alguns artistas de diversas linguagens, para que criassem obras em diálogo com a epistemologia do tempo espiralar, especialmente para esta ocupação”, reforça Galiana Brasil.
Desse modo, o objetivo da Ocupação Leda Maria Martins consiste em fazer com que matizes de ancestralidade e temporalidade estejam presentes na organização do espaço. Idem nas obras, hiatos entre enunciados e em fomentar a capacidade de cocriação de visitantes. Ou seja, ao esperar-se que cada pessoa simultaneamente receba, ecoe e reprocesse as informações lá disponíveis, o foco consiste em estimular a abordagem da oralitude que também perpassa a obra da intelectual.
“Queremos que a centralidade esteja dispersa nas bordas, confundindo centro e periferias, refundando essas lógicas como a própria mestra nos ensina. A melhor forma de aprender é esquecer que se está em aprendizado, ao conseguir se divertir e encontrar leveza. Penso que se isso for sentido nessa experiência, teremos honrado um tanto do legado de Leda”, completa a gerente de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural.
Para visitar e se inspirar
A Ocupação Leda Maria Martins está aberta ao público desde 7 de dezembro (sábado). Confira também o site dedicado à iniciativa - o espaço eletrônico cont com com parte do conteúdo da exposição, vídeos e demais conteúdos.
A visitação estará disponível até 30 de março de 2025. A entrada é gratuita.
O Itaú Cultural está situado na avenida Paulista, 149, Bela Vista (São Paulo-SP), próximo à estação Brigadeiro da Linha 2-Verde do Metrô.