Ivo Fonseca
1962
Ivo Fonseca Silva (Mirinzal, Maranhão, 1962). Ativista. É referência na luta pelos direitos quilombolas. Seu pai pertence à comunidade quilombola do Frechal e sua mãe à comunidade quilombola do Bom viver, ambas em Mirinzal, Maranhão. Sua trajetória enquanto liderança quilombola está coadunada com as lutas em prol dos direitos humanos e direitos das comunidades quilombolas.
Casado com Liliane Lima Mendes, pai de dois filhos e com quatro irmãos, Ivo Fonseca possui uma extensa bagagem de articulação em prol da construção de políticas públicas e manutenção de direitos para a comunidade quilombola. Por meio da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), contribui com a instituição de uma nova ordem e entendimento sobre políticas de igualdade racial no país. Nessa nova percepção, não é mais possível que o poder público simplesmente ignore os povos quilombolas, que entendem que o país se estrutura e se organiza institucionalmente e passam a realizar suas demandas por vias institucionais.
No cenário do Maranhão de final dos anos de 1970 e início dos anos 1980, onde ainda vigora a chamada “lei de chumbo”, Ivo Fonseca luta pelo povo quilombola. Junto a outras lideranças e quilombolas do Frechal, acompanha todo esse processo de luta contra latifundiários junto ao movimento negro, promovendo intenso trabalho para divulgar e preservar a história do povo negro.
Sócio fundador e coordenador da Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (Aconeruq), atua ainda como coordenador do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA). Atualmente é cofundador e atua como administrador da Conaq.
Entre os dias 17 e 20 de novembro de 1995, participa da reunião de quilombolas em Brasília. Nesse encontro, avalia-se a necessidade de união e organização entre os quilombolas pela luta por direitos em todo o país. No dia 12 de maio do ano seguinte, no Quilombo de Rio das Rãs, em Bom Jesus da Lapa, é criada a Conaq.
Participa da Conferência Regional das Américas, que acontece em dezembro de 2000, em Santiago do Chile, como parte dos preparativos oficiais para a Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, também chamada de Conferência de Durban. Em 2001, atuando como um dos delegados da conferência, busca o estabelecimento de interlocução com instâncias internacionais, pautando a questão quilombola em uma esfera mundial. Atua, ainda entre os anos de 2001 e 2004, como agente de direitos humanos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
A criação da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2003, conta com Ivo não só no processo de consolidação e estruturação da instituição, como nas discussões da comissão e do grupo de trabalho dentro da Seppir para consolidação do Decreto nº 4.887/2003. O decreto, resultante do disposto no Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, é considerado um avanço no processo de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por comunidades de quilombos.
Entre os anos de 2010 e 2012, atua como conselheiro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão vinculado à estrutura da Seppir, e assume ainda o cargo de conselheiro do conselho curador da Fundação Cultural Palmares no triênio 2012-2014.
Em 2011 participa da reunião do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, em Alagoas, realizando articulações importantes com os quilombolas com o objetivo de conhecer a situação dos remanescentes dos quilombos da região e fortalecer e aproximar as comunidades locais, compartilhando as experiências de outros estados. Helcias Pereira, diretor do Centro Cultural Anajô, é o anfitrião desta reunião e faz a articulação junto ao Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral).
Em 2020 recebe da secretaria de direitos humanos o prêmio Magno Cruz pela atuação junto ao centro de cultura do Maranhão. No mesmo ano, empresta seu nome ao projeto de extensão sobre memória quilombola da Universidade de Brasília (UNB), que cria o Centro de Documentação Quilombola Ivo Fonseca.
O maior legado de Ivo Fonseca é a sua própria comunidade, o exemplo que ele transmite para que futuras gerações persistam na luta pelo direito à terra e à dignidade, em continuidade à luta de seus antepassados. À frente de diferentes associações, Ivo Fonseca marca o seu nome na história de luta e resistência do povo negro no país, pautando-se na preservação ambiental, no respeito pelos seus ancestrais e no direito à terra.

