A série Ancestralidades, uma coprodução do canal Arte1, Itaú Cultural e a Fundação Tide Setubal, está disponível na plataforma de streaming Itaú Cultural Play. Em seis episódios, de meia hora cada um, a série dirigida pela cineasta Joyce Prado investiga como artistas e pesquisadores negros têm se mobilizado na busca por libertação e emancipação.
A arte contemporânea desdobra-se em suas várias linguagens para se provar arena fundamental no avanço de estratégias de permanência, resistência, existência e restituição da subjetividade do povo negro. Ancestralidades nos convida a refletir sobre a responsabilidade da história da arte na consolidação de uma imagem inferiorizada e subjugada dessa população.
O projeto mostra também como as estéticas trabalham para o fortalecimento da identidade negra no Brasil, a redução dos impactos da escravização mercantil, as reflexões sobre os efeitos da diáspora, o combate ao racismo estrutural, e a disseminação da cosmovisão de matriz africana.
Entre os participantes da série estão: a escritora Ana Maria Gonçalves, os artistas visuais Dalton Paula e Rosana Paulino, o músico e performer Novíssimo Edgar, os cineastas Joel Zito Araújo e André Novais Oliveira, o músico Tiganá Santana, e a atriz e dramaturga Grace Passô.
"É como uma travessia, guiada pelas partilhas de cada entrevista, território e obra. A proposta é trazer a confluência das distintas expressões artísticas e tempos que atravessam e reverberam no hoje. Essa confluência e presença são a ancestralidade sob perspectiva na série", diz a diretora Joyce Prado.
A diretora destaca também como foi o processo para desenvolver o documentário e definir quais seriam as pessoas entrevistadas. Idem sobre o processo para manter a particularidade de cada uma delas a ponto de contemplar a subjetividade da relação com a expressão artística durante as entrevistas.
“Durante a construção do documentário, nos guiamos por quais seriam as pessoas entrevistadas e os territórios e regiões percorridos para encontrar com essas pessoas. Isso compreendeu que a série também tem interesse de mostrar a pluralidade de vozes, trabalhos, projetos, perspectivas e pessoas do campo das artes negras, dentro das suas mais variadas expressões artísticas”, destaca.
+ Confira a entrevista de Joyce Prado Almeida
+ Leia o perfil de Novíssimo Edgar
Perspectivas plurais
Um dos objetivos fundamentais da Plataforma Ancestralidades consiste em reunir e difundir conteúdos derivados de processos investigativos para evidenciar as criações dos diversos Brasis baseados em saberes, histórias e culturas da população negra.
Dentro dessa lógica, Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural, afirma que dar visibilidade às narrativas e corporeidades negras é uma preocupação do Ancestralidades desde o lançamento da plataforma, e que ele segue presente em todos os episódios da série. “Essa produção está alinhada com esse propósito de mostrar como as identidades negras são fundamentais para entendermos a história do Brasil”, destaca.
Mariana Almeida, diretora executiva da Fundação Tide Setubal, destaca a pluralidade de perspectivas epistêmicas e subjetivas apresentadas durante as entrevistas. “As pessoas ouvidas destacam, a partir das suas especialidades e das suas áreas de atuação, a riqueza artística e intelectual inerente às ancestralidades afro-brasileiras. Assim como na plataforma, a série revela biografias, trajetórias e marcos históricos por meio dos processos de construção pessoal das participantes.”
Série "Ancestralidades" nos convida a refletir sobre a responsabilidade da história da arte na consolidação de uma imagem inferiorizada e subjugada dessa população
Hora de dar o play
Assista aos episódios da série Ancestralidades em itauculturalplay.com.br. Confira também as sinopses de cada um deles.
Episódio 1: Estéticas da Fé
A escritora Ana Maria Gonçalves, o diretor Joel Zito Araújo e o músico e performer Novíssimo Edgar, entre outros, refletem sobre o impacto de sua relação com a fé no processo criativo. Eles falam da ligação entre as religiões de matriz africana e o sincretismo religioso no Brasil.
Episódio 2: Estéticas da Familiaridade
No segundo capítulo de Ancestralidades, a pesquisadora Leda Maria Martins junta-se a artistas como Rosana Paulino, Dalton Paula e Tiganá Santana para debater o tamanho do impacto que a história de suas famílias, ou a ausência de registros do passado, têm em suas obras.
Episódio 3: Estéticas da Diáspora
Como a diáspora reverbera nas artes? Entre os participantes deste episódio de Ancestralidades estão: o fotógrafo Eustáquio Neves, o cineasta André Novais Oliveira e a artista visual Silvana Mendes.
Episódio 4: Estéticas do Cinema Negro
No cinema, são muitos os realizadores empenhados na busca por estéticas libertadoras para o povo negro, tanto em termos de narrativas quanto na construção imagética. As pesquisadoras Kênia Freitas e Lyara Oliveira, e os diretores Joel Zito Araújo, André Novais Oliveira e Glenda Nicácio, e a produtora Darwin Marinho falam disso.
Episódio 5: Estéticas da Dramaturgia Negra
O quinto episódio da série Ancestralidades mergulha na dramaturgia e ouve protagonistas da cena contemporânea como Grace Passô e Leda Maria Martins.
Episódio 6: Estéticas em Espiral
A série Ancestralidades termina com a participação de todos os artistas e pesquisadores ouvidos nos episódios anteriores para uma grande elaboração coletiva sobre suas realizações pessoais e artísticas.