Babassuê

culturaReligiosidade e Espiritualidade

Designação das práticas religiosas afro-brasileiras em Belém do Pará, chegadas à região por meio de adeptos do tambor de Mina de São Luís e talvez do terecó de Codó, no Maranhão, sofrendo influência adicional da pajelança amazônica, do catimbó do sertão e da umbanda carioca, justapondo voduns, orixás, caboclos, mestres e entidades ameríndias. O termo foi registrado pela primeira vez em 1938, quando a Missão de Pesquisa Folclórica criada por Mário de Andrade visitou a cidade, mas já naquela época os adeptos utilizavam também a expressão “batuque de Santa Bárbara” [1]. Em décadas posteriores, passaram a ser usadas expressões como “batuque de mina”, “tambor do Pará”, “mina-nagô” ou simplesmente “batuque”.  

O termo “babassuê” derivaria da aglutinação de Barba e Suêra ou Bárbara Soeira, nome de um encantado feminino associado à católica Santa Bárbara e ao orixá Iansã, tida por padroeira tanto do babassuê como do tambor de Mina. Por isso, “Rainha Bárbara Soeira”, “Maria Bárbara Soeira”, “Mamãe Bárbara” ou “Barba” é invocada, na maioria dos terreiros, no início das cerimônias. 

Os cantos litúrgicos são conhecidos no babassuê como doutrinas, e sua orquestra se compõe de três ou quatro tambores, uma grande cabaça ou maracá e o ganzá ou cheque-cheque. Os encantados de respeito usam, no seu vestuário, um lenço ou toalha como sinal de sua presença quando incorporam os seus médiuns [2]. 

A prática é registrada não apenas no Pará, mas também no Amazonas e no Maranhão.

Segundo o Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa (2001, p.368), designação de uma espécie de culto religioso de matriz afro-indígena, baseado no  “modelo jeje-nagô”, com o culto a orixás iorubanos e voduns dos fons, e com adaptações  influenciadas por outras  vertentes como a  “pajelança amazônica”, o “catimbó nordestino”, o “candomblé de caboclo” e a  “umbanda carioca”, com o culto a caboclos e encantados. Já segundo Mundicarmo Ferretti, o termo “babaçuê” seria a antiga denominação da forma hoje conhecida como “terecô” ou “Encantaria de Barba Soeira”. E, consoante Roger Bastide,  este nome, “Barba Soeira” teria, por aglutinação, resultado em “Babaçuê”[1]. Em adendo, veja-se que no universo da chamada Encantaria brasileira,  a “Rainha Bárbara Soeira” é um encantado feminino relacionado à Santa Bárbara católica, cultuado como um avatar de Iansã[2]. Vale ressaltar que no babaçuê os cantos litúrgicos são conhecidos como doutrinas. A prática do babaçuê é registrada, sobretudo, no Pará, no Amazonas e no Maranhão.  Ver IANSÃ, TAMBOR DE MINA.

[1] ALVARENGA, Oneyda. Babassuê. Registros sonoros de folclore musical brasileiro IV. São Paulo: Prefeitura Municipal de São Paulo, 1950, p. 15, 21.

[2] Leacock, Seth & Ruth. Spirits of the Deep. A study of an Afro-Brazilian Cult. New York, Anchor Books, 1975.


 

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