Bori
Importante ritual do culto aos orixás, realizado no candomblé com a finalidade de reforçar o axé da pessoa que a ele se submete. Tem origem no iorubá bori, literalmente: “cultuar a cabeça”[1], e recebe, no batuque gaúcho, o nome de “borido”.
Sede da razão e da inteligência, a cabeça humana, por sua importância, merece também ser cultuada, como um orixá. O bori, assim, é uma cerimônia em que, como diziam os antigos, “dá-se de comer” à cabeça do paciente, a qual é brindada com oferendas, como uma divindade.
As oferendas, também feitas na intenção do orixá do paciente, podem ser simples, apenas com a aposição ritualística de, por exemplo, fragmentos ralados de vegetais untados com mel, manteiga de caritê ou similar, em consistência pastosa, e também incluir sangue de animais sacrificados. Em alguns casos, a oferenda pode ser de frutas frescas e peixes crus.
O ritual tem de ser praticado por sacerdote ou sacerdotisa com conhecimento das etapas e dos cânticos apropriados. O paciente, sentado de frente para o oficiante, recebe as oferendas em sua cabeça. Concluído o ritual, esta é coberta e deve haver repouso.
Em outra acepção, “bori” designou outrora, na Bahia, entre os africanos de origem hauçá, uma instituição religiosa, semelhante ao candomblé, envolvendo transe espiritual e processos de iniciação.
[1] Cf. A Dictionary of the Yoruba Language: London: Ibadan, Oxford University Press, 1976,p. 58.