Diáspora
O termo "diáspora" tem origem grega e significa "dispersão". Ele é utilizado com frequência para se referir aos deslocamentos territoriais forçados. Utilizado inicialmente em referência à experiência histórica judaica, passa a ser empregado a partir do século XX para aludir aos deslocamentos forçados de outros grupos populacionais, provocados por diferentes causas, como guerras, perseguições políticas, genocídios, fome, problemas ambientais, catástrofes, trabalhos forçados, escravização, interesses econômicos e mercantis.
No Brasil, a expressão "diáspora africana" tem sido largamente usada para se referir aos descendentes de africanos nas Américas. A ideia ou princípios balizadores da ideia de diáspora podem ser encontrados no filme Orí (1989), de Raquel Gerber, a partir da experiência de Beatriz Nascimento (1942-1995), que é também narradora no documentário. Conforme afirma o antropólogo Alex Ratts (1964), a ideia de “Eu sou Atlântica”, expressão que dá nome ao livro de Beatriz Nascimento, apresenta a ideia de um duplo pertencimento, uma origem e uma existência marcada por um lugar de entremeios. Na África, também na América e no Atlântico, o vínculo é o mediador desses dois mundos: ser atlântica significa pertencer a esses dois mundos.
O termo "diáspora" ganha mais força no Brasil e no mundo para dar conta da experiência de grandes deslocamentos de pessoas negras, seja durante a escravidão, seja durante os processos de imigração africana e negra, das ex-colonias às antigas metrópoles.
Paul Gilroy (1956), autor de Atlântico negro, e Stuart Hall (1932-2014), com o livro Da Diáspora, são dois autores decisivos para a difusão do termo diáspora. Movimentos sociais influenciados por essas bases teóricas passam a se valer da expressão com mais frequência para nomear a experiência da descendência africana nas Américas. Na academia, o termo tem seu significado ampliado para além dos sentidos negativos dos deslocamentos forçados e ganha também a conotação positiva de recriação cultural, religiosa, além dos vínculos entre dois mundos.
O termo "diáspora" transmite a ideia implícita de deslocamento e de ressignificação da escravidão e ambiciona estabelecer vínculos entre esses mundos. O termo deixa de ser exclusivo da experiência judaica e passa a se referir à dispersão e à imigração de grandes contingentes populacionais no mundo. Em particular, as populações africanas e afrodescendentes que vivem deslocamentos em direção a outros continentes, como a Europa ou as Américas, são comumente chamadas de povos diaspóricos.
Apesar da conotação exclusivista, étnica e negativa no passado, o termo ganha outros significados, ao ser ampliado para os povos compreendidos nessa experiência global e vigente em diferentes momentos históricos. Uma dessas transformações no termo é o uso desse conceito para nomear a experiência de africanos e seus descendentes ao redor do mundo, em especial nas Américas e Europa. Por essa nova definição, não apenas as dimensões tortuosas da experiência de deslocamento forçado e as violências sofridas, mas também as dimensões comuns da recriação histórica e cultural além do continente africano passam a estar presentes nessa formulação, tornando-a mais ambivalente, não sendo apenas negativa.