Odudua
Divindade reverenciada na cultura iorubá, em países da África e da Diáspora, mencionada em respeitáveis fontes como divinização do grande ancestral desses povos. A memória de seus feitos remete à antiga cidade de Ifé (Ilé Ife) e, na sequência, à fundação do reino de Oió, no sudoeste do atual território nigeriano, cuja relação histórica de soberanos encabeça[2].
Segundo Pierre Verger, é mais um personagem histórico do que um orixá[1]. De acordo com a tradição religiosa, Odudua foi enviado por Olodumare, o Ser Supremo, para completar, em Ifé, a obra de criação do mundo e dela participou como orientador dos orixás em sua missões na Terra. Dentro da mesma linha narrativa, que funde história e mitologia, conta-se que Odudua tinha dezesseis filhos. E que eles receberam do pai, respectivamente, o governo dos seguintes reinos: Ifé, Oió, Savé (Shabe) Queto (Ketu), Ondo, Ilexá, Ilá, Ekiti, Efã, Ara, Ido, Ikole, Ado, Popo (no atual Benin), Abomé e Gan (atual Gana)[3].
Algumas versões mitológicas associam Odudua a Obatalá, e outras os opõem. Quando associam, apresentam os dois como um casal de governantes, atribuindo os aspectos masculino e feminino ora a um, ora a outro. Segundo Pierre Verger, a feminilização de Odudua resulta de extravagantes teorias do padre Noel Baudin, divulgadas e reproduzidas a partir do fim do século 19.[4].
Em Cuba, Odudua é objeto de um culto específico, intimamente ligado ao de Ifá, em que a entrega de objetos rituais ao iniciado envolve cerimônias secretas, de grande complexidade e importância. Permanece o culto a Oduduá em comunidades afro-brasileiras da linhagem iorubá. Naquelas em que o transe é um tabu, a cultura religiosa prevê substituições por outras divindades sagradas, cujas personalidades míticas podem se entrelaçar às de Odudua, tudo reservado a rituais específicos para firmar-se ao corpo do iniciado. A cor atribuída a Odudua é o branco leitoso.
[1] Cf. VERGER, Pierre F. Orixás. Salvador: Corrupio, 1997, p. 258.
[2] Cf. PALAU MARTI, Montserrat. Le roi-dieu au Bénin. Paris: Ed.Beger-Levrault, 1964, p. 27.
[3] Cf. BASCOM, William. The yoruba of southwestern Nigéria. New York: Holt, Rinehart and Wiston, 1969, p. 11.
[4] VERGER, Pierre F. Orixás. 5 ed. Salvador: Ed. Corrupio, 1997, p. 258.