Orumilá

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Divindade iorubana do saber e do destino. Por comunicar-se somente através do oráculo de Ifá e não por filhos em transe, formou-se, ao seu redor, um complexo religioso que o distingue dos demais orixás. Assim, é cultuado como um conselheiro, na condição de grande benfeitor da humanidade, personificando a sabedoria e a possibilidade de influir sobre o destino. Em Cuba, recebe o nome de Orula. 

Uma das narrativas a seu respeito conta que, em certo momento após a criação do mundo, Orumilá desceu à Terra para estabelecer uma prática religiosa capaz de por freio ao Mal que já se expandia pelo planeta. Para tanto, escolheu um ponto equidistante em relação a todos os núcleos de povoamento conhecidos; e esse ponto se localizava às margens do rio Nilo. Com o passar do tempo, o lugar onde se reuniam os adeptos de Orumilá tornou-se o centro de um grande reino, onde entes divinos encarnaram em crianças predestinadas, que se tornaram os primeiros sacerdotes do culto. 

Outra versão mostra os primeiros dezesseis discípulos de Orumilá com os nomes iorubanos dos principais “odus” de Ifá, a saber: Ejiogbe, Oyekun, Iwori, Odi, Irosun, Owonrin, Obara, Okana, Ogunda, Osa, Ika, Otrupon, Otura, Irete, Ose, Ofun[1]. O nome “odu” designa cada uma das forças cósmicas, de caráter divino, que compõem o corpo de saberes do oráculo de Ifá. Através deles, durante a consulta ao oráculo, o babalaô, sacerdote do culto, vai obtendo respostas para as questões formuladas e tendo uma ideia geral sobre a situação que deseja esclarecer. Além disso, as narrativas de Ifá ensinam muito sobre cada um dos orixás e suas características. 

Já o sistema divinatório que orienta os candomblés bantos centra-se em outro conceito de tempo, Kitembo, inquice ligado ao tempo espiralar e às intempéries, ao desconhecido, ao imponderável. Embora o presente dialogue com o passado, este está voltado para o movimento Kalunga, movimento da vida que é pura mutação. Nesse sentido, os sistemas divinatórios quase sempre buscam soluções práticas para problemas mais cotidianos, dialogando de maneira criativa com o passado, onde se busca não uma ideia de repetição mitológica dos acontecimentos, mas conselhos de como lidar com as lutas ordinárias.

[1] Cf. ESPINOSA, Félix: PIÑERO, Amadeo. De Olofin al hombre: cosmogonia yoruba. Habana-Cuba. Ediciones Cubanas, 1997 (Coleção em 3 v,: Ifá y la creación; La leyenda de Orula; El hijo de Ifa) 

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